Projeto de Capitães da Areia no
cinema é cancelado
O escritor baiano Jorge Amado, um dos autores mais bem
sucedidos do país, já teve quase todos os seus livros adaptados
para a TV, cinema ou teatro. Todos se recordam do sucesso de Sônia
Braga em "Dona Flor e seus dois maridos" nas telas do cinema na década
de 70. No mesmo período, ela interpretou Gabriela,na novela homônima
da Rede Globo de Televisão, contracenando com o inesquecível
ator Armando Bógus.
Outros romances de Amado tem sido regularmente adaptados
para o audiovisual, como a recente versão da Globo para o livro "Mar
Morto", que virou uma novela com o título "Porto dos Milagres", escrita
por Agnaldo Silva.
O livro de maior sucesso, porém, é "Capitães
da Areia", traduzido para vários idiomas e sempre recordista de vendas.
Conta a história de meninos abandonados na Salvador da década
de 30, claro que de forma romanceada, e impregnada de imagens e personagens
típicos da Bahia, como é a característica de todos os
livros de Amado.
"Capitães da Areia" foi queimado em praça
pública ao ser lançado na década de 30, por ser considerado
subversivo (Amado era simpatizante do Comunismo, e isso é bem claro
na menssagem final deste livro, quando o líder do bando, Pedro Bala,
larga a marginalidade e se torna líder grevista, formando tropas de
choque para combate em greves).
Este livro recebeu inúmeras adaptações,
algumas bastante competentes e fiéis ao livro, outras com menor qualidade.
A mais recente foi uma versão para o teatro dirigida por Pedro Vasconcelos
e estreada no Rio em 2002 , que não obteve grande repercussão.
O dramaturgo carioca Carolino Bezerra iniciou em 2002
um projeto para levar Capitães da Areia para a tela grande, naquela
que seria a primeira versão cinematográfica em português,
já que, até hoje, por incrível que pareça, só
houve uma versão em inglês, interpretada por atores americanos,
rodada em Los Angeles em 1971, e que nem chegou a passar nos cinemas brasileiros.
Bezerra diz que "o projeto é antigo, já
existia desde 1990, mas só recentemente pude tocar adiante". Segundo
ele, o filme seria uma superprodução, "já que é
uma história de época que exigiria cenários e figurinos
adequados". Entre os detalhes que o dramaturgo nos deu sobre o projeto, o
mais interessante foi a lista de nomes que foram cotados para o provável
elenco, incluindo pesos-pesados da dramaturgia nacional, como Sebastião
Vasconcelos (que seria o Padre José Pedro), Paulo Autram, Nélson
Xavier (interpretando Lampião), Elizabeth Hartmann, e a internacional
Sônia Braga. Para interpretar os garotos do bando, foram cogitados
Vinícius de Oliveira (que trabalhou com Fernanda Montenegro no filme
Central do Brasil, e interpretaria Pirulito, o menino religioso do bando),
Daniel Ávila (o Bruno de "Agora é que São Elas", que
seria Pedro Bala), Sérgio Hondjakoff (galã do seriado "Malhação",
que seria Gato, o garoto amante de uma prostituta), Lui Mendes (o Jefferson
de "A Próxima Vítima", que faria o malandro Boa-Vida), além
de outros nomes desconhecidos do público da TV. Também
estavam nesta lista outros artistas conhecidos, como Tony Tornado, que seria
o estivador João de Adão, Solange Couto e até Suzana
Alves (ela mesma, a ex-Tiazinha) , que seria Dalva, a prostituta amante
de Gato.
Como o projeto é antigo, Bezerra lembra que dois
artistas já falecidos chegaram a estar cotados: Carlos Eduardo Dolabella,
que seria o delegado de polícia, e Jorge Lafond, que faria uma participação
rápida como um homossexual preso.
Bezerra iniciou a preparação do roteiro, mas em
Maio de 2003 a família de Amado teria avisado á produtora que
os direitos autorais do livro já estavam vendidos, e que a adaptação não poderia ser feita.
"Fiquei triste, pois tenho certeza que seria uma grande
filme, que estava sendo preparado com toda minúcia e fidelidade à
obra do autor e, assim como o livro se tornou um marco da literatura, certamente
o filme também se tornaria um marco do cinema brasileiro ", lamenta
Bezerra.
Carandiru: o
livro que virou filme chega a Cannes
O presídio paulista do Carandirú foi manchete
há alguns anos por causa do episódio que ficou conhecido como
"Massacre do Carandiru", onde dezenas de presos amotinados foram mortos por
policiais.
O médico e escritor Dráuzio Varella conviveu
de perto com os presos do Carandiru na época em que prestou serviços
médicos lá dentro. E passou suas impressões para o livro
"Estação Carandiru". O cineasta argentino Hector Babenco, que
dirigiu sucessos mundiais como "O Beijo da Mulher Aranha", se inpirou no livro
de Varella para produzir o filme homônimo do presídio retratado
no livro.
Para o elenco, chamou nomes famosos, como o ator Rodrigo
Santoro - um dos galãs televisivos do momento - , Caio Blat, Maria
Luisa Mendonça (a Buba da novela Renascer) e Aída Leiner.
O fillme foi um sucesso de bilheteria no Brasil, e há
alguns dias foi incluído no Festival de Cinema de Cannes, na França,
um dos mais respeitados eventos cinematográficos do mundo.
Lá, Babenco e os atores citados acima desfilaram
pelas coletivas e noites de gala com direito a tapete vermelho na entrada
e verdadeiros enxames de fotógrafos e reporteres do mundo inteiro
documentando tudo.
Vamos aguardar agora para ver se Carandiru também
chegará a um dos indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro,
já que, na premiação anterior do maior evento de cinema
dos Estados Unidos, o sucesso Cidade de Deus perdeu a indicação
para o mexicano O Crime do Padre Amaro.
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