Os Artistas



CINEMA 
Junho de 2003

Projeto de Capitães da Areia no cinema é cancelado
   
    O escritor baiano Jorge Amado, um dos autores mais bem sucedidos do país, já teve quase todos os seus livros adaptados para a TV, cinema ou teatro. Todos se recordam do sucesso de Sônia Braga em "Dona Flor e seus dois maridos" nas telas do cinema na década de 70. No mesmo período, ela interpretou Gabriela,na novela homônima da Rede Globo de Televisão, contracenando com o inesquecível ator Armando Bógus.
    Outros romances de Amado tem sido regularmente adaptados para o audiovisual, como a recente versão da Globo para o livro "Mar Morto", que virou uma novela com o título "Porto dos Milagres", escrita por Agnaldo Silva.
    O livro de maior sucesso, porém, é "Capitães da Areia", traduzido para vários idiomas e sempre recordista de vendas. Conta a história de meninos abandonados na Salvador da década de 30, claro que de forma romanceada, e impregnada de imagens e personagens típicos da Bahia, como é a característica de todos os livros de Amado.
    "Capitães da Areia" foi queimado em praça pública ao ser lançado na década de 30, por ser considerado subversivo (Amado era simpatizante do Comunismo, e isso é bem claro na menssagem final deste livro, quando o líder do bando, Pedro Bala, larga a marginalidade e se torna líder grevista, formando tropas de choque para combate em greves).
    Este livro recebeu inúmeras adaptações, algumas bastante competentes e fiéis ao livro, outras com menor qualidade. A mais recente foi uma versão para o teatro dirigida por Pedro Vasconcelos e estreada no Rio em 2002 , que não obteve grande repercussão.
    O dramaturgo carioca Carolino Bezerra iniciou em 2002 um projeto para levar Capitães da Areia para a tela grande, naquela que seria a primeira versão cinematográfica em português, já que, até hoje, por incrível que pareça, só houve uma versão em inglês, interpretada por atores americanos, rodada em Los Angeles em 1971, e que nem chegou a passar nos cinemas brasileiros.
    Bezerra diz que "o projeto é antigo, já existia desde 1990, mas só recentemente pude tocar adiante". Segundo ele, o filme seria uma superprodução, "já que é uma história de época que exigiria cenários e figurinos adequados". Entre os detalhes que o dramaturgo nos deu sobre o projeto, o mais interessante foi a lista de nomes que foram cotados para o provável elenco, incluindo pesos-pesados da dramaturgia nacional,  como Sebastião Vasconcelos (que seria o Padre José Pedro), Paulo Autram, Nélson Xavier (interpretando Lampião), Elizabeth Hartmann, e a internacional Sônia Braga. Para interpretar os garotos do bando, foram cogitados Vinícius de Oliveira (que trabalhou com Fernanda Montenegro no filme Central do Brasil, e interpretaria Pirulito, o menino religioso do bando),  Daniel Ávila (o Bruno de "Agora é que São Elas", que seria Pedro Bala), Sérgio Hondjakoff (galã do seriado "Malhação", que seria Gato, o garoto amante de uma prostituta),  Lui Mendes (o Jefferson de "A Próxima Vítima", que faria o malandro Boa-Vida), além de outros nomes desconhecidos do público da TV.  Também estavam nesta lista outros artistas conhecidos, como Tony Tornado, que seria o estivador João de Adão, Solange Couto e até Suzana Alves (ela mesma, a ex-Tiazinha)  , que seria Dalva, a prostituta amante de Gato.
    Como o projeto é antigo, Bezerra lembra que dois artistas já falecidos chegaram a estar cotados: Carlos Eduardo Dolabella, que seria o delegado de polícia, e Jorge Lafond, que faria uma participação rápida como um homossexual preso.
   Bezerra iniciou a preparação do roteiro, mas em Maio de 2003 a família de Amado teria avisado á produtora que os direitos autorais do livro já estavam vendidos, e que a adaptação não poderia ser feita.
    "Fiquei triste, pois tenho certeza que seria uma grande filme, que estava sendo preparado com toda minúcia e fidelidade à obra do autor e, assim como o livro se tornou um marco da literatura, certamente o filme também se tornaria um marco do cinema brasileiro ", lamenta Bezerra.


Carandiru: o livro que virou filme chega a Cannes

   O presídio paulista do Carandirú foi manchete há alguns anos por causa do episódio que ficou conhecido como "Massacre do Carandiru", onde dezenas de presos amotinados foram mortos por policiais.
    O médico e escritor Dráuzio Varella conviveu de perto com os presos do Carandiru na época em que prestou serviços médicos lá dentro. E passou suas impressões para o livro "Estação Carandiru". O cineasta argentino Hector Babenco, que dirigiu sucessos mundiais como "O Beijo da Mulher Aranha", se inpirou no livro de Varella para produzir o filme homônimo do presídio retratado no livro.
    Para o elenco, chamou nomes famosos, como o ator Rodrigo Santoro - um dos galãs televisivos do momento - , Caio Blat, Maria Luisa Mendonça (a Buba da novela Renascer) e Aída Leiner.
    O fillme foi um sucesso de bilheteria no Brasil, e há alguns dias foi incluído no Festival de Cinema de Cannes, na França, um dos mais respeitados eventos cinematográficos do mundo.
    Lá, Babenco e os atores citados acima desfilaram pelas coletivas e noites de gala com direito a tapete vermelho na entrada e verdadeiros enxames de fotógrafos e reporteres do mundo inteiro documentando tudo.
    Vamos aguardar agora para ver se Carandiru também chegará a um dos indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro, já que, na premiação anterior do maior evento de cinema dos Estados Unidos, o sucesso Cidade de Deus perdeu a indicação para o mexicano O Crime do Padre Amaro.  
   



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